Sistemas agroflorestais – SAFs

Utilizamos os SAFs como sistemas para agrupar produção agrícola com recuperação florestal, assim proporcionando ao agricultor acesso ao sistema de mercado por meio de venda da produção, enquanto ao mesmo tempo proporciona o desenvolvimento de florestas onde antes elas estavam suprimidas, ou a manutenção das mesmas pelo consorcio entre plantas de valor econômico, como o cacau, e florestas preexistentes onde estas culturas podem se desenvolver.

O projeto Kaapora está desenvolvendo pesquisa na área de formação de SAFs na TI Caramuru, a fim de proporcionar uma proposta realista de transformação do território indígena nas zonas onde o mesmo sofreu processo de destruição de suas florestas durante a permanência dos ocupantes ilegais do território. A implantação do SAFs está se dando em consorcio com o processo de reflorestamento da área, sendo que 1,3 hectare já se encontra em processo de estabelecimento do primeiro SAF dp projeto. A formação de SAF é fundamental para obtermos adesão ao processo de reflorestamento no território, assim sendo, será uma perspectiva ambientalmente e socialmente realista, ja que proporcionará aos envolvidos o acesso econômico a recursos que substituirão as atuais pastagens de gado, de onde atualmente muitas famílias retiram seu sustento, e do qual não podem abrir mão sem um substituto satisfatório.

A primeira zona de SAF do Kaapora, o SAF Guariroba, .

O SAF Guariroba é multifuncional, abrigando também a habitação, o meliponário e outras instalações que necessitam de um ambiente fresco e belo. Estamos caminhando para, em breve, termos uma paisagem florestal no Guariroba.

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O projeto está consorciando árvores nativas, exóticas, frutíferas e culturas de porte arbustivo e herbáceo. Como exemplo de árvores nativas, temos plantado jatobá, pau brasil, ipê etc. Plantamos também algmas exóticas por seus aspectos funcionais para o projeto, como a Gliricídia sepium que é uma leguminosa, servindo de adubação verde e o Corymbia torelliana em pequena quantidade para as abelhas em razão se ser um excelente fornecedor de néctar, e também proporcionar uma excelente barreira contra vento e entrada de luz solar nas bordas do SAF. Plantas com finalidade medicinal e religiosa também vêm sendo introduzidas no SAF, tais como a Psychotria viridis e o cipó Banisteriopsis caapi. Estão sendo plantadas muitas mudas de bananeira, como cultura perene, juntamente com o feijão andu (Cajanus cajan), para proporcionar sombreamento e fornecimento de nitrogênio para o solo, tendo em vista que o andu é uma leguminosa.

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Abaixo segue lista de todas as espécies que vêm sendo introduzidas na área, e lista das que já se encontravam estabelecidas e que foram preservadas. A lista de espécies sofrerá alterações na medida em que outras forem introduzidas e as demais forem identificadas.

Nossas mudas tem origem em viveiros comerciais, alguns viveiristas independentes, e produzimos grande parte delas a partir de sementes e estacas. Algumas são adquiridas por doação, outras por compra de mudas ou de sementes para nossa própria produção de mudas, sementes e estacas também são adquiridas por coleta nossa ou por produção de nossas próprias matrizes.

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Espécies Plantadas

  • Ipê Amarelo (Handroanthus albus)
  • Ipê Roxo (Handroanthus impetiginosus)
  • Goiabeira (Psidium guajava)
  • Limoeiro (Citrus × latifolia)
  • Jambeiro (Syzygium malaccense, sin. Eugenia malaccensis)
  • Pau Brasil (Paubrasilia echinata, sin. Caesalpinia echinata)
  • Pau Pombo (Tapirira guianensis)
  • Ingazeiro (Inga sp)
  • Gravioleira (Annona muricata)
  • Abacateiro (Persea americana)
  • Gliricídia (Gliricídia sepium)
  • Eucalipto toreliana (Corymbia torelliana)
  • Jatobá (Hymenaea courbaril)
  • Feijão andu (Cajanus cajan)
  • Chacrona (Psichotria viridis)
  • Mariri (Banisteriopsis caapi)
  • Tamarillo (Solanum betaceum)
  • Pau Ferro (Libidibia ferrea, sin. Caesalpinia ferrea)
  • Bananeira prata (Musa AAB ‘Prata Anã’ clone: Gorutuba)
  • Bananeira maçã (Musa acuminata)
  • Mandioca (Manihot esculenta)
  • Ora-pro-nobis (Pereskia aculeata)
  • Ora-pro-nobis arbóreo (Pereskia grandifolia)
  • Brasileirinho (Cereus hildemannianus)
  • Bougainvillea sp
  • Margaridão (Tithonia diversifolia)
  • Espinheiro branco (Senegalia bahiensis)
  • Sansão do Campo (Mimosa caesalpiniaefolia)
  • Flor de pavão (Caesalpinia pulcherrima)
  • Coqueiro (Cocos nucifera)
  • Pimenta do reino (Piper nigrum)
  • Jacarandá da Bahia (Dalbergia nigra)
  • Mogno africano (Khaya ivorensis)
  • Pimenta malagueta (Capsicum frutescens)
  • Açaí (Euterpe oleracea)
  • Cacau (Theobroma cacao)
  • Cupuaçu (Theobroma grandiflorum)
  • Ackee (Blighia sapida)
  • Noni (Morinda citrifolia)

Espécies preservadas (já encontradas no local)

  • Palmeira Buri (Allagoptera caudescens)
  • Mangueira (Mangifera indica)
  • Jaqueira (Artocarpus heterophyllus)
  • Trombeta (Brugmansia suaveolens)
  • Jurubeba (Solanum paniculatum)
  • Beldroega (Portulaca oleracea)
  • Marinheiro (Guarea guidonia)
  • Cordão-de-frade (Leonotis nepetaefolia)
  • Moguba (Pachira aquáatica)
  • Arapiraca (Chloroleucon dumosum)
  • Sete-cascas (Samanea tubulosa)
  • Andira fraxinifolia
  • Maria Preta (Solanum americanum)
  • Varias em identificação

Espécies em processo de supressão

  • Gramíneas diversas para alimentação de gado

Como fonte de leitura, recomendamos o artigo da Wikipedia